segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Culto ao Egoísmo


Raramente escrevo nesse blog, é um espaço reservado para os momentos de inspiração intensa; quando o conjunto de informações e conclusões se tornam tão inchados que poderiam fazer meu crânio explodir. Por que escolhi esse título? Pois vou tocar em um assunto que passa desapercebido, é uma observação que faço a bastante tempo sobre alguns cultos, ritos e seitas.
 Sou católico e noto uma diferença gritante de algumas seitas que cultuam o "Eu", é como se acreditassem que tudo deve lhes servir; doa-se para se obter algo em troca. Não há a fomentação da caridade, que começa pela doação a Deus, se pede: Riqueza, um relacionamento, saúde, dinheiro, paz...
 Quando no catolicismo pedimos que seja feita a vontade de Deus para que alcancemos a santidade; em algumas seitas o pedido para obter uma satisfação terrena ou carnal é associado a felicidade. Todo católico deveria pedir para ser pobre caso isso sirva para ser visto como instrumento de Cristo, estar sozinho caso isso seja a vontade do Senhor, estar doente para que através da fé durante este período sirva de vitral para que as demais pessoas possam enxergar Deus. Podemos pedir tudo aquilo que os pagãos pedem, porém há uma diferença; só queremos se isto for a vontade do Pai.

                              

Indo um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: "Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres".

Mateus 26:39


 Algo que me incomoda bastante é o uso dos nomes de santos e suas imagens nos ritos não católicos, pois evidentemente é uma estratégia utilizada por muitos para atrair aqueles que são católicos mas não se aprofundam na fé (a culpa é dos próprios católicos que não buscam isso), mas muitas vezes essas imagens do santos é associada a uma "entidade" que não condiz em nada com a história do santo. Os santos e os mártires são fontes de inspiração devido a sua vida em comunhão com a de Cristo, eles literalmente viviam como Jesus e se doavam como ele; em momento algum durante suas vidas esperavam agradar os desejos carnais e terrenos dos homens. Suas vidas eram para Deus, consequentemente era para todos... Pois a vida de Cristo (que é Deus feito homem), foi para todos e consequentemente aqueles que o seguem devem imita-lo. Como por exemplo são Maximiliano, um padre mártir que deu sua vida no lugar de um pai de família que iria morrer executado em um campo de concentração nazista, o mesmo homem esteve no dia de sua canonização e foi convertido pelo exemplo extremo de doação.

                                             


Creio que muitas vezes, isso fomente uma frustração naqueles que se acostumam com a saciedade momentânea de seus desejos, pois acabam se tornando focados no próprio umbigo; o mais curioso é que isso geralmente é associado ao espiritismo, umbandismo e candomblé. Porém, as seitas mais perigosas são as baseadas na teologia da prosperidade, se dizem evangélicas/protestantes... No entanto tratam Deus como um prestador de serviços que tem a obrigação de dar aquilo que se pede, gritam com o Pai como se ele fosse um empregado; entendam... Os escravos somos nós, deixem de ser soberbos e parem de pensar que podem usar dinheiro para compra-lo.

                                                 

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Cultura é Mudança

A sociedade é composta por indivíduos; indivíduos esses que absorvem hábitos, crenças, gostos e habilidades através de seus familiares, amigos e conhecidos que por sua vez também possuem tal influência. À partir desta observação, a soma de tal absorção entre indivíduos e trocas de informações gera a cultura deste povo e a sua identidade só é existente perante a outra, não existe uma percepção de "eu" sem o outro.

Como também é inexistente o conceito de cultura sem outras culturas, a busca pela preservação de uma cultura evitando que a mesma entre em contato com outras é uma utopia, só ocorre no mundo das ideias (na esfera intelectual), na prática a cultura de uma sociedade se move, história é mudança. A busca pela imutabilidade de ideias, hábitos, etc... Consiste em um comportamento de seita, quando indivíduos voluntariamente se unem para se afastar do restante da sociedade que pensam diferente.
O sonho da coexistência cultural é algo completamente macabro, pois coexistir não envolve interação e se pré supõe que alguém será responsável por impedir a interação entre indivíduos pertencentes a diversas culturas. A cultura de uma sociedade em relação a outra, sempre há de mudar pela interação ou pelo tempo; no Brasil os portugueses aprenderam muito com os índios e os índios com os portugueses. Os indivíduos naturalmente absorvem costumes, tecnologias, técnicas e crenças vindas de outra cultura ou da que foi "encontrada" e descarta também.
                                  

Alguns povos tem uma linguagem mais focada na expressão corporal e outros na expressão escrita ou falada, ambos precisam se adaptar para interagir, surgem então as relações afetivas, filhos e novas famílias que aderem a tudo isso. Em nosso país, temos muitas pessoas acreditando que multiculturalidade é manter classes separadas e o mais distante possível umas das outras, impedindo até mesmo o contato de uma tribo de indígenas com outras, impedindo tentativas de contato com tribos que nunca viram pessoas de outras culturas, isso ocorre pois elas mesmas decidiram ficar em seus mundos e acreditam que qualquer interação para troca de ideias é uma forma de opressão, absorvem comportamento de seita.
Por isso, nunca mais caiamos nessa história de que devemos preservar a cultura, ela não é sagrada e faz parte de sua natureza a mudança. Ao mesmo tempo, isso não significa uma defesa de intromissões forçadas; querer preservar uma cultura utilizando uma força estatal, é interferir no hábito local e nas mudanças. É característico da própria cultura, mudar a si mesma. 

Obs: Os próprios hábitos indígenas adotados pelos portugueses acabaram sendo difundidos em diversas partes do mundo.