terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quarenta dias sem Facebook

Parece algo realmente bobo, mas esta foi minha decisão durante a quarema: Passar quarenta dias sem o Facebook e entrando algumas vezes apenas para acertar alguns detalhes em relação a escola de oração da Casa de Santa Terezinha e em casos de "emergência".

 Sinceramente? Nos primeiros dias tenho sentido uma abstinência imensa, até comecei a pesquisar sobre esta compulsão. Faço parte da geração que tem as redes sociais como uma extensão do próprio corpo e como uma espécie de "link cerebral". Parece que sinto falta de algo, sinto irritabilidade, vontade de desistir. É literalmente como se houvessem retirado um sentido de meu corpo!

Sou obrigado a me deparar com meu próprio "eu" diversas vezes, em um "deserto" onde inevitavelmente acabo ficando mais atento a pequenas coisas e pecados que não me incomodavam tanto antes. Por exemplo: A curiosidade inútil, vontade de manifestar meus pensamentos e receber aprovação somente para não sentir que sou eu apenas a pensar de certa forma.

Como válvula de escape e para não ficar totalmente incomunicável, ainda utilizo o web messenger do Facebook e o Whatsapp (nesta rede social nunca fui compulsivo), vivo a excluindo. Tenho lido o livro "Confissões" de Santo Agostinho e ele tem me dado forças neste momento. O tempo que gasto com conversas que não me edificam, lendo sobre curiosidades e reclamações mundanas e materialistas poderia ser utilizado em oração, estudo, leitura, labor, algo de útil para o meu próximo.

Eu não sei exatamente o que da prazer em estar nas redes sociais, embora já tenha lido algumas razões na internet! É realmente algo que deveria ser estudado com mais seriedade. Inquieta o espírito, nos torna excêntricos (no sentido de que nos tira de nosso próprio centro), serve como válvula de escape para não nos observarmos. Não nos deixa sozinhos jamais, como consequência acabamos longe de Deus. O que me fez tomar esta decisão? Ia simplesmente deixar de comer algum alimento durante quarenta dias. Até que li um texto do Padre Rodrigo Maria onde ele nos lembra que a nossa abstenção deve ser algo que realmente nos incomode e que nos lembre a cada segundo do porque estamos sentindo este incômodo voluntário.
 Diversas vezes durante minha tentação de desistir, lembro disto:

"Novamente o transportou o diabo a um monte muito alto; e mostrou-lhe todos os reinos do mundo, e a glória deles.
E disse-lhe: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares.
Então disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás". - Mateus 4,8,10