Tem havido uma crescente adesão a um estilo de vida mais minimalista (acho isso legal) e um estilo de vida mais desapegado de bens materiais. Na era da internet é bem mais fácil preenchermos nossas mentes com outros temas que substituem a compulsão pelo consumismo, existem pessoas que se sentem bem quase sem nenhum móvel ou tralha em casa desde que tenha tecnologia a sua mão.
É ótimo que a tecnologia esteja nos ajudando nisso, mas e toda a tralha que colocamos em nosso cérebro e nossa alma?
Eu particularmente tenho meu cérebro poluído todo dia porque sou um consumista de informações, existem literalmente milhares de pessoas postando e vejo a toda hora a timeline do meu facebook com coisas úteis e fúteis. Até que ponto isso não é uma transferência de nosso impulso consumista de bens materiais para o ato de consumirmos informações inúteis. O apego por bens materiais é tão prejudicial quanto o meu e o seu apego por emitir opiniões o tempo todo?
Não deveríamos ser mais minimalistas também com aquilo que consumimos intelectualmente? Ter várias redes sociais ou utiliza-las toda hora, estar sempre conectado as pessoas virtualmente e conversando não prejudica as conversas reais? Até que ponto não transferimos o apego aos bens materiais para o apego a "conhecidos" de nossas redes sociais?
Antigamente as pessoas se exibiam com um carro do ano, com celulares (isso tem diminuído), com relógios, etc... Hoje na era da "revolução" e do "idealismo" corremos o risco de sermos exibicionistas com diversas "causas", queremos mostrar como somos engajados em TUDO e como podemos dar opinião sobre TUDO. Hoje não compramos, mas aderimos a "pacotes comportamentais e de opiniões". Não sabemos o que dizer? Consumimos o vídeo de um youtuber teen ou qualquer idiota para repetir aquilo como um mantra. Até que ponto também esta ânsia por minimalismo e desapego dos bens materiais não esconde a necessidade de sermos desapegados de tantos estímulos em nossos cérebros? Chamo isso de "tralhas cerebrais". Da mesma forma que as vezes temos vontade de nos livrarmos de tudo ao nosso redor porque sentimos o ambiente poluído visualmente, há pessoas que desejam livrar-se de si mesmas de tão poluído que esta seu cérebro e sua alma!
Mas será que não bastaria que filtrassem os estímulos? Luz artificial o tempo todo nos nossos olhos, sons de aparelhos tecnológicos que nos condicionam, pessoas mostrando o tempo todo que tem opiniões sobre tudo e que nos fazem pensar que também devemos ter.
O problema nem sequer é ter opinião, mas sentir que é necessário emiti-la a todo momento. E se nos desapegássemos de nós mesmos e parássemos de nos por no lugar de Deus? E se esquecêssemos um pouco da necessidade que criamos de transformar nossos pensamentos em perguntas e ceticismo o tempo inteiro? Não seria mais fácil aderir mais a ação e dela tirarmos inspiração até mesmo para a escrita?
Será que o sentido da nossa vida esta contido nela mesma? O sentido da existência de um lápis esta fora dele, é escrever. O nosso sentido da vida não estaria contido no próximo? Não saímos de nós mesmos quando encontramos o próximo?
Diversos pensadores já falaram sobre isso: Schopenhauer, Viktor Frankl, filósofos gregos, os budistas acreditam na conquista do fim do sofrimento quando esquecemos totalmente de nós mesmos e nos entregamos aos outros (deixando de lado todas as nossas vontades pessoais), vivendo o presente e tendo como certeza que o passado é lembrança e que o futuro é imaginação. Da mesma forma os próprios santos viviam assim, Cristo vivia assim! No cristianismo se acredita que o sofrimento não acaba até morrermos, mas que de certa forma deixamos de sofrer quando nos doamos ao próximo.
Esse tipo de pensamento e reflexão é o que me faz pensar: Eu não deveria ser minimalista materialmente e MENTALMENTE também?




